"Nosso Programa": Visão Finalística, Causalística e Programática
O texto "Nosso Programa", de Flusser, fala de como os dias atuais nos fazem repensar a noção da existência humana e do mundo, que antes se baseava nas causas ou no destino. Primeiramente, ele apresenta a visão finalística, na qual as ações humanas são determinadas pelas suas metas, explicando o presente pelo futuro. Nela o universo é um estágio do processo final e a liberdade é impedida, pois o homem está condenado ao seu destino. A atividade em que nós nos movimentamos para organizar os alunos em ordem de tamanho à exemplificou, já que as ações foram baseadas em um propósito. Em seguida, é citada a visão causalística, na qual as ações são determinadas por causas e efeitos, explicando o presente pelo passado. Ao contrário da anterior, ela relata que o universo surgiu por consequência de situações prévias e a liberdade é impedida por um certo tipo de "determinismo". Isso foi demonstrado na dinâmica de comunicação horizontal ou diagonal, em que nossas ações aconteciam de acordo com as decisões tomadas previamente. Em oposição à elas surgiu a visão programática, onde as ações são manifestações da virtude do subconsciente humano. Ela defende que o universo surgiu por acaso e que outras coisas também serão realizadas ao acaso, no futuro, contestando a ideia de que tudo ocorre por um propósito ou motivo antecedente. Dessa forma, é possível concluir que ela abrange as dimensões finais e causais.
Portanto, Flusser afirma que a atualidade se mostra como um jogo de absurdos, de acasos. Nela, os programadores projetaram programas que se automatizaram, fazendo o comportamento da sociedade ser regido por diversos aparelhos. Por isso, para atingir a liberdade é necessário pensar apoliticamente, uma vez que, do contrário, surgem questionamentos a respeito dos motivos dos programas que nos regem, o que já é previsto por eles. Dessa forma, o autor estabelece que é necessário assumir o absurdo, para, assim, virar um jogador e não apenas uma mera peça do jogo.
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